segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

10. Anexos - Memorial ( Christyanne de Freitas Soares Oliveira)

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE ENSINO
PROGESTAO MUNICIPAL

CHRISTYANNE DE FREITAS SOARES OLIVEIRA

 MEMORIAL EDUCACIONAL

Memorial apresentado ao Programa de Capacitação à Distância para Gestores Escolares do Município de Guanambi para créditos da avaliação do curso.
Profª Orientadora Esp. Lindomar Santana Aranha.

 GUANAMBI / DEZ - 2011

MINHAS MEMÓRIAS

A minha vida escolar teve início no ano de 1980. A primeira escola que freqüentei foi o Grupo Escolar Getúlio Vargas uma escola pública estadual da minha cidade. A escolha da escola foi feita pela minha mãe levando em consideração que se tratava da primeira escola da cidade e onde trabalhavam as melhores professoras da cidade, segundo os critérios de qualidade da época (disciplina, rigidez, seriedade, etc.).
Naquela época, existiam as chamadas séries “adiantadas e atrasadas”, felizmente eu freqüentava as séries adiantadas. O medo que tínhamos da professora era tão grande que até um pedido de licença saia quase que sem voz. Os livros eram fornecidos pelo governo bem como os cadernos (brochuras), lápis e borracha.  
Muitas dificuldades da escola primária eu levei comigo para o colégio (Ensino Fundamental II) dentre elas o problema com a matemática. Como naquela época o ensino de matemática era puramente abstrato eu não conseguia encontrar lógica em algumas resoluções. Quando estava estagiando no 2º grau, fiz magistério, foi um problema ter que ensinar matemática para as crianças na 3ª série, a tabuada, adição e subtração com reserva, se tornaram complicado, pois, eu sabia resolver, mas não sabia explicar utilizando material concreto. Foi então que tive que aprender a trabalhar com o concreto e muitas coisas aprendi antes de ensinar.
Fazer Magistério foi muito importante uma vez que tudo o que eu havia estudado no primário e não sabia como de fato funcionavam e suas respectivas lógicas, eu consegui aprender durante o curso. Quando fiz Estudos Adicionais em Estudos Sociais tive que enfrentar novas dificuldades tais como, não exigir dos alunos que decorassem mapas, ler e interpretar tabelas, gráficos e mapas etc. Aquilo sem dúvida era um grande desafio, pois passei quatro anos no colégio, da 5ª a 8ª séries, apenas decorando mapas para fazer as avaliações de geografia, tudo bem que não me servia para nada, mas, eu precisava da nota para passar para a série seguinte assim como todos os demais.
Quando decidi pelo curso de Geografia na universidade, logo imaginei que seria lago completamente extraordinário, tudo o que eu queria era que chegasse rápido o início das aulas. Eu morava em Guanambi e todos os dias eu ia e voltava para Caetité, cidade vizinha a 40 km onde eu fazia faculdade. Qual foi a minha surpresa quando comecei o curso e descobri que tudo era completamente diferente daquilo que esperava.
A maioria dos professores não levava a série a sua profissão e se empenhavam a cada dia para que ficássemos cada vez mais desestimulados. Faltavam muito às aulas, não se preocupavam com a qualidade e atualização do material e, além disso, o mais grave, os alunos não podiam contestar o professor, fazer valer suas idéias de mudanças e propor mudanças na aprendizagem que passariam a ser perseguidos por alguns professores.
Pensei também que a universidade seria o caminho para um turbilhão de novidades, novas práticas e posturas. E mais uma vez lá estava eu sem saber exatamente para onde caminhar, que direção tomar. Eu que pensava estar livre da “decoreba”, me deparei novamente com aquela situação, só que dessa vez era demais. Cadê o discurso do aprendizado de forma significativa? Havia ido pelo ralo há muito tempo.
Felizmente a minha vontade de mudança somada a de meus colegas fez uma grande diferença. Quando sentíamos dificuldades buscávamos a solução em livros, artigos e em um ou dois professores que tinham a mente mais aberta e que nos ajudavam a buscar respostas para nossas dúvidas. A idéia deslumbrada de freqüentar a faculdade foi frustrada, em parte, mas ainda bem que a minha busca não foi de tudo vazia, pois afinal mesmo sendo poucos existiram professores que fizeram à diferença nos momentos mais conflitantes.
Hoje eu percebo que a postura do ensinar por ensinar, assim de qualquer jeito, não foi apenas uma realidade do passado e muito menos da escola pública. Nos dias atuais perdura a resistência a novas tendências de ensino e infelizmente só quem tem a perder são os alunos por não encontrarem, em alguns anos de escola, um significado na sua vida cotidiana para o que ele estuda e dizem que aprendem na escola.                                                                                                                                      A maneira desestimuladora de ensino permanece por conta de uma grande parte dos professores, os motivos que os levam a não aprender continuam desconhecidos, a falta de qualificação do professor ainda grande e ir à escola apenas para não tomar falta, mesmo que ele dia após dias não acrescente nada a vida dos alunos, ainda é realidade e o pior de tudo é que esse mesmo professor é tido como bom profissional justamente por não faltar.
Neste ano de 2011 uma nova oportunidade chegou para mim, participar do Progestão. No primeiro encontro a nossa orientadora Lindomar Aranha expôs todos os objetivos do curso, datas dos encontros ao longo do ano e principalmente a necessidade de estudar os módulos antes de cada encontro e que seria acompanhado de algumas atividades para serem desenvolvidas pelo grupo logo, tive vontade de desistir porque pensei que não encontraria tempo para tanta coisa, a coordenação de área no CETEP, o trabalho da sala de aula e mais o curso. Fazer parte de um grupo de profissionais exclusivo da escola onde trabalho foi muito importante porque teríamos a oportunidade de discutir e analisar o nosso cotidiano escolar.
Quando fazemos uma área específica como foi o meu caso, Geografia, não temos a oportunidade de ler e discutir relacionados a questão educacionais gerais como quem opta pelo curso de Pedagogia. As questões são muito específicas e tratamos de forma restrita ao estudo  daquela disciplina.E muito dos temas que estudaríamos nos módulos já eram de certa forma conhecidos pela maios parte dos cursistas e bem pouco por mim.
O primeiro módulo trouxe logo uma questão que inquieta muita gente Como articular a função social da escola com as especificidades/demandas da comunidade? A reflexão desse tema perpassa por uma trajetória história analisando o surgimento da escola há 200 anos passados e o momento atual. Ressalta as décadas de 20 e 30 como um diferencial sendo que, nesse período diferentes seguimentos da sociedade passam a ter acesso à escola embora essa já apresentando problemas de qualidade
A função social da escola também é discutida pela Constituição e a LDB levando-nos a questionar sobre alguns aspectos tais como, a escola consegue realmente, de forma clara, mostrar para a sua comunidade qual é o seu papel? A escola está conseguindo acompanhar as mudanças do momento histórico que vivenciamos?Ela consegue trabalhar com os alunos de forma significativa? Ela prepara esse aluno para o quê?

O fato de a escola ser um elemento de grande importância na formação das comunidades torna o desenvolvimento das atribuições do gestor um componente crucial, é necessário que possua tendência crítico-social, com visão de empreendimento, para que a escola esteja acompanhando as inovações, conciliando o conhecimento técnico à arte de disseminar idéias, de bons relacionamentos interpessoais, sobretudo sendo ético e democrático. O coordenador por sua vez assumem o papel de articulador professor/aluno/direção e juntamente com os outros segmentos da comunidade objetivam a qualidade do ensino, promovendo momentos de trocas de experiências e reflexão sobre a prática pedagógica, o que trará bons resultados na resolução de problemas cotidianos, e ainda fortalece a qualidade do ensino, contribui para o resgate da auto-estima do professor, pois o mesmo precisa se libertar de práticas não funcionais, e para isso a contribuição do coordenador será imprescindível, o que resultará no crescimento intelectual dos alunos.

No segundo módulo trouxe para o debate a discussão acerca da gestão democrática participativa a partir da seguinte reflexão Como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escolar? Envolver todos os seguimentos da comunidade no trabalho escolar dinamiza, enriquece e acima de tudo fortalece não apenas o trabalho pedagógico como também os laços afetivos para com os envolvidos e os bens públicos como o espaço físico da escola, cadeiras, quadros, etc.
Outro ponto que merece bastante atenção refere-se às questões dos conflitos sociais essenciais para ampliar novos horizontes e modificar posturas, e também do respeito às diferenças. Se todos aprendessem a ler e escrever ao mesmo tempo e com a mesma habilidade qual seria o papel do professor? Uma sugestão bastante promissora parte do estabelecimento de parcerias primeiro com os chamados vizinhos, que o caso das igrejas, associações, e familiares, por exemplo, visando o trabalho baseado na reciprocidade e posteriormente com outras instituições.
A participação da comunidade na tomada de decisões e sempre que possível ou necessário está envolvida nas atividades escolares, descentralizar o poder da gestão de forma organizada, delegar responsabilidades favorecem o crescimento e o fortalecimento de uma gestão democrática e participativa, pois expressam o estabelecimento de diversos acordos firmados.
Ingenuidade pensar que ser um gestor democrático é não deixar de atender a todos na integra, é evitar o surgimento de conflitos no grupo, é não discorda de ninguém e concordar com todos. Muito pelo contrário pois por mais jogo de cintura que o gestor tiver ele terá de aceitar a decisão da maioria, permitir e gerenciar a resolução de conflitos porque graças a eles surgem também as soluções de muitos problemas, e discordar sempre que necessário quando os comportamento e posturas dos envolvidos do processo alunos, professores, funcionários, pais e parceiros da escola estiverem agindo de forma arbitrária.

Por uma questão de ordem das discussões fez-se necessário que o módulo seguinte a ser estudado fosse o X cujo tema questionava Como articular a gestão pedagógica da escola com as políticas públicas da educação para a melhoria do desempenho escolar.
Algumas questões são consideradas fundamentais na discussão da construção da qualidade em educação. Uma delas refere-se à relação entre as políticas públicas definidas para a educação com foco na avaliação do trabalho escolar. Ultimamente tem ocorrido um maior interesse pela avaliação do desempenho dos alunos, fato que encontra-se relacionado a maior investimento e atenção na educação por parte dos países mais desenvolvidos.  Paralela a essa questão está à necessidade de os resultados das avaliações externas, obtidos pela escola, serem utilizados por essa instituição para o replanejamento de suas atividades, a partir da revisão do projeto pedagógico. Partindo desse pressuposto, foram destacadas algumas dessas avaliações externas realizadas pelas escolas.

A Prova Brasil foi bastante comentada por todos os grupos durante o debate e também na apreciação dos resultados individuais das escolas uma vez que a analise desses dados nos fornece a oportunidade de compreender que a avaliação deve funcionar como um feedback possibilitando o repensar de da prática pedagógica.  

De acordo com o material apresentado no módulo e o entendimento do grupo foi possível rever o real papel da avaliação não apenas no ambiente escolar como também outras instituições chegando à conclusão que avaliar implica levar em conta o conjunto de conhecimentos, crenças, hábitos, regras, sentimentos que regem o trabalho coletivo da e na escola. Este é um dos motivos pelos quais cada escola precisa desenvolver ações cotidianas que levem à construção, em seu interior, de uma cultura avaliativa com foco no sucesso do aluno e, conseqüentemente, no acompanhamento do seu desempenho.

Criar seus próprios instrumentos avaliativos levando em consideração a realidade da comunidade na qual a escola encontra-se inserida é algo bastante positivo quando a escola consegue pensar e agir dessa forma, seus processos avaliativos passam a ser concebidos como uma importante e necessária alternativa para realizar diagnósticos, identificar problemas e redimensionar os rumos do trabalho educativo que realiza.
Como no módulo anterior já havíamos discutido sobre instrumentos os avaliativos que devem ser elaborado levando em consideração a realidade da comunidade e dos educandos envolvidos no processo educacional a discussão permaneceu sobre o tema só que desta vez com um olhar um pouco mais diferenciado entendendo que não apenas os alunos precisam passar um processo avaliativo mas também todos os profissionais, desde a faxineira até a diretor, envolvidos com a educação.Nesse sentido o módulo IX trouxe a tona uma questão bastante polêmica, Como desenvolver a avaliação institucional na escola?
Muitas vezes entendermos que avaliar é uma função apenas do professor e que o aluno é o único que deve ser submetido a esse procedimento isso porque a idéia de avaliação está relacionada principalmente a punição. Engana-se quem pensa dessa forma, pois avaliar o desempenho institucional é algo positivo no sentido de oportunizar o redirecionamento das atividades e detectar falhas.
A escola por sua vez torna-se o local mais indicado para realizar esse tipo de procedimento, o que ocorre na verdade é uma resistência muito grande por conta dos profissionais da educacional quando sabem que serão submetidos a uma avaliação ainda que essa seja diagnóstica e não punitiva como a maiores dos professores usam. Claro que quando falamos em avaliação institucional na escola não está direcionado apenas aos professores afinal eles não são os únicos profissionais envolvidos no processo educativo, mas também funcionários de apoio, vigilantes e por que não a direção.
O sucesso do gestor para o bom desempenho de sua função está em avaliar, planejar estratégias de execução das atividades e claro contar com a participação de toda a comunidade escolar no sentido de garantir a melhoria do processo ensino/aprendizagem uma vez que os objetivos escolares priorizam o aluno.
Um ponto chave de toda a questão está direcionado ao papel do gestor em apresentar à comunidade escolar a importância desse tipo de avaliação. Imposições sempre geram conflitos e corre o risco de se tornarem problemas, a saída então, consiste em mais uma vez chamar a atenção para um posicionamento democrático e essas decisões sejam construídas coletivamente e apresentadas de forma documentada no Projeto Político Pedagógico da escola no sentido de fortalecer as relações interpessoais de todos os segmentos. Dessa forma discutir na sequência o módulo III  - Como promover a construção coletiva do Projeto Pedagógico da escola? – nos ajudou a ter um melhor entendimento de como esse documento norteador de todas as atividades escolares deve ser elaborado e quais atores devem participar da sua construção e sua importância.
A escola é um espaço altamente heterogêneo isso se dá por conta de que é formada por diversos seguimentos professores, gestores, administrativo, pais e alunos todos com conhecimento e valores diferentes. É por conta dessa diversidade que a LDB (Lei 9.394/96) sugere que o PPP seja elaborado com a participação de todos os seguimentos e não apenas do corpo docente, trata-se na verdade de uma responsabilidade muito grande do gestor reuni-los para trilhar os caminhos que a escola deve seguir e ainda garantir a autonomia das unidades de ensino.
Elaborar um projeto pedagógico visando apenas o cumprimento da lei não ajuda em nada melhorar o desempenho escolar muito pelo contrário, ele será feito sem envolvimento efetivo e sem funcionalidade. A idéia é justamente fazer com que ele seja a imagem da escola, que corresponda de fato à sua realidade e necessidade expressando as diferentes concepções dos diferentes atores responsáveis pela sua elaboração e execução.
Características marcantes devem ser atribuídas na teoria e prática do projeto pedagógico tais como abrangência, flexibilidade, ser duradouro e claro democrático, dessa forma ele irá conferir identidade à escola. Todo o processo é bastante trabalhoso e conflituosos devido à participação de diversos seguimentos mas, os conflitos são de suma importância nesse momento para se chegar a tomada de decisões.
É interessante salientar que quando se fala em autonomia na escola não devemos confundir com soberania, pois quando ela constrói sua autonomia não se torna independente das outras esferas. Além desse princípio na elaboração do PP deve-se assegurar um outro que reza a qualidade de ensino para todas as escolas, este se fundamenta na necessidade de garantia mínima de qualidade de ensino para seus alunos, não perdendo de vista que essa qualidade está relacionada à valorização do trabalho docente.
Este módulo IV – Como promover o sucesso da aprendizagem do aluno e a sua permanência na escola? - chamou a atenção inicialmente para as principais teorias que tratam da relação desenvolvimento e aprendizagem sendo elas a behaviorista, a construtivista e a sócio-interacionista. De certa forma todas colocam que a aprendizagem escolar influencia no desenvolvido do ser humano salientando a importância da ajuda dos professores.
A escola não deve estar preocupada apenas com o número de alunos matriculados mas em como fazer com que eles permaneçam estudando e oportunizar situações que favoreçam a sua compreensão de mundo. Que seja dada aos alunos a oportunidade de participar diretamente, através de representantes de classe, das decisões sobre o currículo durante a elaboração do PP.
A permanência dos alunos na escola parte do principio de que essa deve ser uma atividade prazerosa, porém repleta de trabalho e regras. A rotina das salas de aulas deve constar atividades dinâmicas, claro que não dá pra ser todo dia, mas pelo menos com freqüência, o planejamento dos conteúdos e das atividades deve seguir um caráter significativo onde possa estabelecer paralelos entre o que ele aprende na escola e de que forma pode ser usado no seu cotidiano. As reuniões de pais realizados nas escolas, normalmente por unidade, podem ajudar nesse sentido para direcionar o planejamento.
Uma decisão importante por conta dos professores e gestores é assegurar que as avaliações sejam um instrumento meramente punitivo e sim que ela sirva de bússola para melhoria na qualidade de ensino e ajude na tomada de decisões necessárias para reorganizar o trabalho pedagógico e não permitir que ele se torne enfadonho. È justamente por ver a avaliação como instrumento de planejamento escolar que a LDB salienta sua importância na promoção do sucesso e da permanência dos alunos na escola.
A proposta de que o gestor é o maior responsável no cotidiano escolar automaticamente lhe atribui uma série de desafios constantes como: Resolver problemas, tomar decisões, atuar em cooperação com a comunidade escolar, construir consensos, liderar e desenvolver equipes e lideranças, desenvolver relações de parceria e de negociação, coordenar processos estratégicos de decisão e de resolução de conflitos, interpretar e avaliar desempenhos e resultados escolares, desenvolver estratégias de comunicação e compreender o contexto em que se desenvolve a prática educativa. Árduo é o trabalho do diretor de escola e que tem exigido uma postura diferenciada que acompanhe todas as transformações que a escola vem sofrendo é esse o assunto tratado pelo módulo V – Como construir e desenvolver os princípios de convivência democrática na escola?
Pensar em gestão democrática na escola pública significa repensar a organização escolar de forma ampla, pois ainda são tímidas as políticas de incentivo à participação. Um outro aspecto a ser considerado é a centralização das tarefas, pois embora haja um amparo legal , ainda não há infraestrutura suficiente para a organização e execução da descentralização das ações.

Atuar de forma democrática é claro que não significa que o gestor não precisará mais tomar decisões sozinhos, é lógico que sabemos que existem situações específicas em que a decisão cabe somente a ele. Também ser democrático não quer dizer que você vai deixar de se defrontar constantemente com novos e velhos conflitos na escola em que atua e que sempre as decisões serão unânimes e ocorrerão de forma passiva, até porque conflitos são necessários para se chegar a entendimentos e mudanças de atitudes.

As pessoas de opiniões e convicções opostas ao contrário do que se pensa podem se torna importantes aliados por isso é importantes que o gestor ganhe a confiança de toda a sua equipe de trabalho dentre e fora da escola. Uma boa comunicação, o exercício da compreensão mútua, de compartilhar obrigações e objetivos claros são posturas que acreditem faz a diferença nos momentos mais tumultuados e ajuda o diretor a obter um desempenho satisfatório da sua equipe de trabalho.

O primeiro passo para a construção de uma gestão democrática é garantir a elaboração do PPP com a participação de todos os segmentos educadores, pais, alunos, funcionários e a comunidade (representantes, parcerias, etc.) e proporcionar sempre que puder a troca de experiências que resultam novas aprendizagens.Por isso que ao escolher o gestor que representará a sua escola a comunidade escolar deve levar em consideração que nem todas as pessoas apresentam um perfil de gestor e que isso pode implicar em problemas futuramente.

É importante então lembrar que a gestão democrática se constrói no dia a dia da escola e com a participação de todos (comunidade interna e externa) e que esse processo exige um planejamento das ações a serem desenvolvidas e respeito à diversidade cultural.

O módulo VI traz alguns conhecimentos ou conceitos pouco usados no tema relacionado aos recursos financeiros da escola. Como foi feito em 2008 foram detectadas algumas informações defasadas, só para ilustrar o percentual que se refere ao custeio que era de 30% passou para 20%.

Os recursos da educação não é de responsabilidade apenas do gestor como também dos demais membros da comunidade escolar professores, secretários, etc. Os princípios básicos de gerenciamento e direcionamento do uso do capital na escola determina a obrigatoriedade do cumprimento dos mesmos e que nos casos de omissão da prestação de contas pode implicar em penalidades.

Os recursos que financiam a escola se apresentam de duas formas: públicos e privados. O primeiro apresenta duas formas de transferência que podem ser adotadas o adiantamento a servidor, que pode ser o gestor ou o presidente do caixa escolar e nessa forma os recursos são destinados para o pagamento ou execução de pequenas despesas, o que não isenta o responsável da prestação legal de contas. Uma outra forma de transferência se refere a entidades privadas sem fins lucrativos, podendo ser uma associação de pais e mestres, colegiado, caixa escolar e que apresentem como principal finalidade ajudar a unidade escolar a qual pertence e que para tal se faz necessário a criação de uma unidade executora.

No caso dos recursos privados apresentam sua origem no arrecadamento por meio das parcerias, festas, doações,etc.,não está relacionado à arrecadação municipal. Assim como os recursos públicos  os privados também destinam-se ao melhoramento do funcionamento e na qualidade do ensino e, como chegam diretamente na escola devem ser usados de forma responsável, racional e que apresente prestação de conta para a comunidade escolar. Portanto, cabe a unidade executora da unidade gerenciar esse recurso assim como os demais que chegam na escola.

A gestão de recursos financeiros na escola pode ser aplicada de forma diferenciada podendo ser centralizada ou descentralizada. No caso do nosso município essa aplicação acontece de forma centralizada, ainda que já estejamos trabalhando com o PDDE e com recursos privados que chegam direto na escola através das parcerias e outras atividades desenvolvidas pela comunidade escolar.

A proposta de descentralizar parcialmente esses recursos na escola tem como finalidade fortalecer a autonomia da mesma e também é vista pela comunidade escolar como uma forma de agilizar algumas atividades planejadas e necessárias das escolas, como pequenos concertos e compra de material pedagógico, que muitas vezes requer muito tempo.

Os recursos financeiros utilizados na escola pública são oriundos do pagamento ou arrecadação de impostos locais e nas escolas privadas os recursos tem origem em capital privado. No PPP assim como as demais ações deve constar ações orçamentárias e se as mesmas se referirem a um tempo maior de execução e uma verba maior encaminhar para o PPA. É através dos recursos financeiros públicos que a escola realiza a compra de materiais pedagógicos e adquiri o patrimônio material necessário para o funcionamento escolar.

Todas as vezes que falamos em patrimônio o que nos vem a cabeça imediatamente é cadeira, mesa, armário, computar, quadro, televisor, aparelho de som, ou seja, apenas a parte material, palpável, concreta. A discussão trazida pelo módulo VII – Como gerenciar o espaço físico e o patrimônio da escola? - veio elucidar essa questão pautada não apenas ao material mas também ao imaterial.

Dessa forma o patrimônio escolar pode ser definido como sendo o conjunto de bens, direitos e obrigações suscetíveis de depreciação econômica obtidos através de compra, doação ou outra forma de aquisição, devidamente identificado e registrado contabilmente. Em outras palavras podemos dizer que o patrimônio escolar é o conjunto de bens móveis e imóveis que formam a parte física e material da escola e que, quando postos em uso, estão sujeitos a danificações.

Tão importante quanto a parte de bens materiais na escola está o imaterial. Esse trata-se na verdade ao que está relacionado a história daquela instituição, aos seus ex-alunos, professores, direção, pais e a história de construção relacionada a necessidade da mesma naquela comunidade, a escolha do local, das primeiras iniciativas e do que ela realmente representa para a comunidade na qual está inserida.

Um dos maiores problemas relacionados de um modo geral as escolas é justamente a conservação do patrimônio material. Ao adentrar uma escola é comum se depara com vidros e portas quebradas, paredes pichadas, lixeiras e cadeiras quebradas, etc., é claro que o nível de depredação varia muito de escola para escola porém, independente do nível ela é realidade.

Diante dessa realidade comum o PPP se apresenta mais vez como um importante aliado na luta contra essa situação, pois, nele deve constar ações envolvendo a comunidade no sentido de conscientizá-la de que o bem público deve ser preservado. Aliás, ai está um dos grandes impasses para conservação e preservação do patrimônio público falta de conscientização de que aquilo que é público pertence a ele também pois, na maioria das vezes não só os alunos como os demais seguimentos acham  que o bem público é de “ninguém”.

Gestar o patrimônio público não é tarefa fácil e portanto, apresenta muitas dificuldades dentre elas aparece a manutenção colocada pelos gestores como a principal. Isso ocorre por conta de que esse serviço não pode ser feito diretamente pela escola, ele é solicitado a Secretaria Municipal de Educação que na maioria das vezes não atende em tempo hábil o que faz com que um pequeno defeito na porta se torne um transtorno porque ela acaba sendo totalmente quebrada, por exemplo. Em segundo lugar está a quantidade de pessoas que formam a equipe de trabalho,falta supervisor para ajudar a verificar os pequenos danos, secretários escolares para agilizar os trabalhos e ao final o gestor tem que na maioria das vezes realizar todo esse trabalho praticamente sozinho e deixando-o sobrecarregado.

Algumas soluções na tentativa de solucionar o problema seria o dinheiro na escola como já foi discutido anteriormente para agilizar esses pequenos concertos e evitar estragos maiores, conscientizar a comunidade escolar de que aquele bem pertence a ele pois é adquirido através do pagamento de impostos pagos pelos mesmos e portanto cabe a eles também ajudar na conservação desse materiais, incentivar a participação da comunidade na escola para prestar serviço gratuito em pintura, lavagem das dependências, pequenos concertos, etc. Essa última gera um pouco de conflito e nos chama a refletir também para uma questão bastante discutida atualmente, quando realizamos esse tipo de atividade não estamos ao mesmo tempo eximindo o governo de suas responsabilidades?

Sem dúvida alguma o último módulo VIII – Como desenvolver a gestão dos servidores na escola? – foi muito esperado e rendeu um debate bastante esclarecedor uma vez que se refere aos direitos e deveres dos servidores.

Começamos pelo ingresso dos servidores que se dá de duas formas diferentes a primeira através de concurso público, que no caso do magistério especificamente ocorre através da realização das provas escritas e prova de títulos, e em emergenciais são contratados servidores temporariamente. Os trabalhadores da educação estão divididos em dois grupos os profissionais do magistério, docentes, supervisor, coordenador, orientador pedagógico e o diretor, e os demais trabalhadores vigia, merendeira, porteiro, faxineiro, etc.

Mesmo sendo responsabilidade direta do gestor realizar concurso para suprir deficiência de funcionários ou contratar, realizar pagamento dos salários, promover ou aplicar penalidades aos servidores é importante que o gestor tenha conhecimento dessa legislação para que ele possa melhor organizar o trabalho  e desempenhar o seu  papel.

A discussão ficou ainda mais interessante quando se tratou de estatuto e plano de carreira uma vez que recentemente o plano de carreira dos profissionais da educação da rede municipal foi recentemente reformulado e entra em vigor no próximo ano e pode esclarecer algumas duvidas.

Outra pauta que gerou bastante discussão foi a questão da formação dos profissionais da educação que implica diretamente na qualidade dos serviços prestados. De acordo com a LDB os profissionais devem ter formação da área de atuação e que ao atuarem de forma diferente serão considerados leigos e que ainda o curso de pós-graduação apenas o habilita para o cargo, como por exemplo, ser professor de História com graduação em Pedagogia e pós em História.

As relações interpessoais é um aspecto que também implica no desenvolvimento de um trabalho de qualidade e o gestor é peça fundamental para estabelecer um clima de respeito, proporcionar a aproximação, sensibilizar para a realização do trabalho de forma prazerosa e valorizar os profissionais da educação em sua dimensão humana.

Realmente participar do Progestão foi para mim uma tarefa cansativa, por conta do acúmulo de responsabilidades, muitas vezes pensei em desistir mas terminava deixando essa idéia de lado, achei também que iria se tratar apenas de mais um curso e não acrescentaria nada a minha formação.Que bom que tudo aconteceu de forma diferente cansei mas aprendi muito,quis desistir e persistir e o mais importante cresci não apenas intelectualmente mas como pessoa. Com cada colega aprendi um pouco e espero que eu tenha conseguido surtir o mesmo efeito.

Acredito que a partir de agora poderei contribuir um pouco mais para a melhoria do funcionamento e organização da escola onde trabalho em todas as suas dimensões e sinceramente me fez refletir muito sobre a carga de responsabilidade que é entregue a um gestor desde o seu primeiro dia de mandato e como ele é necessário na escola. 

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